sexta-feira, 20 de abril de 2012

o sonho de ser uma bailarina


oi gente vou contar uma coisa para vocês ,eu sou bailarina e gosto muito de dançar ,então vou mostrar algumas coisas de balé para vocês ta.


O sonho de ser bailarina profissional


Nesse tempo que mantenho o blog, muitos dos meus conceitos mudaram em relação a uma série de coisas. A ideia inicial era contar e questionar como é o ballet clássico na vida de quem começou aos 27 anos.
Com o tempo, percebi que a questão do “ser bailarina profissional” ainda é muito forte mesmo para quem começou mais tarde. Não falo em lecionar ou fazer parte de um grupo, mas de dançar em grandes companhias. Na minha cabeça, isso nunca foi algo plausível para quem começou depois da adolescência.
Eu penso o seguinte: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Já comentei isso com algumas pessoas. Aos 30 anos, posso começar a nadar e ninguém me dirá que quero ganhar medalha olímpica. Posso aprender a tocar violino, mas não me perguntarão quando será minha audição para a Orquestra Sinfônica de São Paulo. Por que então eu tenho de questionar a profissionalização ao fazer ballet clássico?
Engraçado que, nas demais danças isso não existe. Estudei algumas, fiz aulas experimentais de outras tantas e isso não entra em pauta. Posso dançar por gosto e vontade, voltar para casa e continuar na minha profissão.
Porém, eu não me importava com isso porque era uma postura apenas das professoras. Se elas só pensam em ballet profissional, o problema não é meu. Cada vez mais há professoras que pensam diferente, e isso é ótimo. Agora… Bailarinas pensarem assim?
O que eu vou falar é complicado, mas é verdade. Porque é preciso sim ser realista.
Voltemos à natação. Posso nadar? Posso. A vida inteira, se eu quiser. Mas eu posso almejar ser a nova César Cielo? Não. Nem o meu corpo, nem a minha vida, nem a minha dedicação, nem a minha idade permitem isso.
Ou seja, para uma bailarina ser a grande estrela de uma grande companhia internacional, não basta amar o ballet clássico. É preciso SIM ter físico, vocação e talento para tal.
Comecemos pelo físico. Não estou falando de magreza, mas de um tipo específico para dançar ballet. Há determinadas habilidades que nem estudando todo dia algumas pessoas são capazes de conseguir.
Eu nasci com um en dehors de quase 180º. Mas o meu cambré é pífio, menor do que de qualquer pessoa normal. E o meu arabesque? A minha perna não sobe quase nada, é de chorar de tristeza.
Sinto muito, mas ambos não vão mudar.
Aí você diz: Cássia, eu nasci com o corpo pronto para ser bailarina clássica. Ótimo. E a sua vocação? Você tem disposição para dançar todo dia, o dia todo? Aulas, ensaios e afins? Subir ao palco sentindo dor? Ter uma grande lesão que a afaste da dança por mais de um ano? Ter consequências físicas que a acompanharão para o resto da vida?
Todo mundo acha lindo a primeira-bailarina no palco. Mas mesmo quem faz aulas de ballet clássico parece não compreender o que aquela bailarina passou para estar ali. Alguém acha mesmo que começando aos 30 anos e fazendo aula duas vezes na semana, será a nova Tamara Rojo?
Além de físico e vocação, você tem talento? Sim, é preciso talento. Você dança bem? Já vi bailarinas com muitos anos de ballet, que sabem a técnica de cor e não dançam nada. Falta o brilho no palco. Quantas têm coragem de encarar isso?
É triste pensar assim? Não. Quantas aqui já pensaram por que realmente fazem ballet? O que você vive hoje condiz com a sua realidade? Com o seu desejo? Com o seu verdadeiro querer?
Das três coisas – físico, vocação e talento –, só tenho a segunda. Sou absurdamente dedicada. Eu tenho barra em casa. Estudo muito. Pesquiso bastante. Porém, não sou a melhor, nunca serei. Jamais seria primeira-bailarina. Professora alguma me daria o papel de protagonista. Sinceramente, viveria feliz só dançando as variações das solistas. Eu desmereço o restante? Não. Mas me conheço o suficiente para saber que trabalho melhor sozinha. Porque nada incomoda mais um dedicado do que os “nem-aí” que encontramos pelo caminho.
Não estou querendo destruir o sonho de ninguém. Mas a gente precisa fazer o sonho e a realidade darem as mãos. Sem saber o que você quer quando coloca as sapatilhas nos pés, não vai chegar a lugar algum.
O que eu quero? Dançar ballet a vida inteira. Ter a dança como arte na minha vida. Subir ao palco com as coreografias que eu escolhi para mim. E sem ninguém me incomodando por conta disso.



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